O encarecimento do crédito no Brasil tem levado consumidores a buscar modalidades que ofereçam taxas mais baixas e prazos mais flexíveis. Nesse contexto, o empréstimo com garantia de veículo vem ganhando relevância. De acordo com dados da Serasa Experian, esse tipo de operação cresceu 34% em 2024, impulsionado pela procura por linhas de crédito mais acessíveis. Uma das principais dúvidas nesse movimento diz respeito ao uso de carros antigos como garantia, prática que vem sendo cada vez mais aceita no mercado.
Para atender a diferentes perfis de clientes, bancos e fintechs ajustaram seus critérios e passaram a considerar automóveis com mais de dez anos de fabricação como garantia, desde que estejam em boas condições de uso e com a documentação regularizada. A modalidade tem sido utilizada por empreendedores, aposentados e famílias que precisam de recursos para reorganizar dívidas, investir ou lidar com imprevistos, sem recorrer a empréstimos pessoais com juros elevados.
Como funciona o crédito com garantia de veículo
No empréstimo com garantia de veículo, também conhecido como auto equity, o proprietário oferece um carro quitado como garantia para obter crédito. O valor liberado normalmente corresponde a uma porcentagem do preço de mercado do automóvel, que pode variar entre 60% e 90%, conforme a avaliação realizada pela instituição financeira.
O principal atrativo está nas taxas de juros. Como o bem reduz o risco da operação, as condições costumam ser mais favoráveis. Dados do Banco Central indicam que os juros médios dessa modalidade ficam em torno de 1,5% ao mês, bem abaixo dos percentuais praticados em empréstimos pessoais, que frequentemente superam 6% mensais.
Quando o veículo é mais antigo, a análise tende a ser mais rigorosa. Ano de fabricação, estado de conservação e valor de mercado são fatores decisivos. Embora carros com mais de dez anos possam ser aceitos, o limite de crédito costuma ser menor e os prazos, mais curtos.
Requisitos para usar um carro antigo como garantia
Antes de contratar o crédito, o proprietário deve verificar se o automóvel está totalmente quitado e sem restrições legais. As instituições exigem documentos como CRLV atualizado, comprovante de residência e documentos pessoais. Além disso, o veículo passa por uma vistoria técnica e por uma avaliação de valor, geralmente baseada em referências como a Tabela Fipe.
Durante o contrato, o carro permanece com o dono, que pode utilizá-lo normalmente. No entanto, o veículo fica alienado à instituição financeira, o que impede sua venda até a quitação do empréstimo. Em caso de inadimplência, há a possibilidade de retomada do bem.
Apesar disso, o risco costuma ser baixo quando o crédito é bem planejado. Levantamento da fintech Creditas mostra que 93% dos clientes dessa modalidade mantêm os pagamentos em dia, reflexo de uma concessão mais alinhada à capacidade financeira do consumidor.
Etapas para contratar o empréstimo
O processo para contratar um empréstimo com garantia de veículo é, em geral, simples e bastante digital. O interessado começa realizando uma simulação, informando o valor desejado e os dados do carro. Após a análise de crédito, é agendada a vistoria do automóvel.
Com base nessa avaliação, a instituição define o valor aprovado, as taxas e o prazo de pagamento, que costuma variar entre 12 e 60 meses. Após a assinatura do contrato, o dinheiro é depositado na conta do solicitante e o veículo passa a constar como garantia no registro do Detran.
Em comparação com outras linhas de crédito, o processo tende a ser mais rápido e pode ser concluído em poucos dias, o que atrai quem precisa de liquidez imediata.
Quando essa opção vale a pena
Utilizar um carro antigo como garantia faz sentido, principalmente, quando há necessidade de um valor mais elevado e o proprietário não deseja vender o veículo. A modalidade também é indicada para quem pretende trocar dívidas caras por um crédito mais barato ou investir em um pequeno negócio.
Por outro lado, é importante considerar a desvalorização natural dos veículos mais antigos. Com o passar do tempo, o valor de mercado diminui, o que reduz o potencial de crédito em futuras operações. Manter o carro em bom estado ajuda a preservar seu valor e amplia as chances de aprovação.
Alternativas e cuidados antes da contratação
Para veículos muito antigos, geralmente acima de 20 anos, algumas instituições oferecem alternativas, como empréstimos com garantia de imóvel ou crédito consignado, no caso de aposentados e servidores públicos.
Antes de fechar contrato, é fundamental comparar condições entre diferentes bancos e fintechs, verificando taxas adicionais, como custos de avaliação, seguros ou tarifas administrativas. A leitura atenta das cláusulas sobre atraso e quitação antecipada também é essencial.
Especialistas recomendam que o valor das parcelas não ultrapasse 30% da renda líquida mensal, garantindo maior controle financeiro e reduzindo o risco de endividamento excessivo.
Tendência de crescimento no mercado de crédito
Com o avanço da digitalização e a ampliação da concorrência no setor financeiro, o crédito com garantia de veículo tende a se consolidar nos próximos anos. Medidas do Banco Central voltadas à transparência e à competitividade devem facilitar o acesso e contribuir para a redução das taxas.
Nesse cenário, carros antigos passam a ser vistos não apenas como bens depreciados, mas como ativos capazes de gerar liquidez. Com planejamento e informação, essa modalidade pode representar uma alternativa segura e estratégica para quem busca crédito sem comprometer o patrimônio.
