Quando a estrutura falha: o que um caso recente de desabamento de uma academia revela sobre riscos invisíveis

Quando a estrutura falha, casos de desabamento revelam riscos invisíveis ligados à manutenção, projeto e segurança em ambientes comerciais.

As causas específicas do ocorrido dependem de apuração técnica e não são o foco desta análise.

Um desabamento recente em uma academia de grande visibilidade teve um impacto imediato. As imagens chamaram a atenção, mas o que ficou é o debate. Como isto aconteceu e em que momento houve falha na estrutura?

O primeiro olhar costuma ir para a estrutura, com as vigas, lajes, e a execução da obra. É o que se pode ver. Mas se olharmos com um pouco mais de profundidade, perceberemos que essa situação também pode revelar uma falha maior. Há coisas que não são necessariamente visíveis que sustentam uma situação e que, às vezes, são exatamente o início do problema.

Ambientes comerciais com maior intensidade, como academias, são sistemas vivos. Equipamentos pesados, iluminação constante, climatização ligada por horas, fluxo constante de pessoas. Nada funciona isolado, e sim holisticamente. E isso inclui a parte elétrica.

As instalações elétricas não são visíveis, não fazem parte do ambiente, não são uma experiência direta, mas sustentam quase toda a experiência. Se estiverem bem-feitas, não se perceberá. Se não estiverem bem-feitas, o problema surge, às vezes tarde demais.

Academias têm uma carga elétrica alta e constante. As esteiras, as máquinas, os climatizadores, a iluminação exige estabilidade. Precisam não só funcionar, mas funcionar dentro dos limites de segurança em todo momento.

Se o projeto não estiver bem dimensionado, se materiais inadequados estiverem presentes na solução, começa a aparecer alguns sinais de que algo pode não estar bem. Disjuntores que se desligam com frequência, oscilações, problemas em alguns equipamentos que não têm explicação objetiva, consumo de energia maior do que o esperado. À primeira vista parecem detalhes. Na prática, são sinais claros de que algo não está funcionando como deveria.

O problema é que esses sinais costumam ser ignorados. E é aí que o risco aumenta.

Sobrecarga elétrica significa calor. Calor permanente em lugares técnicos significa, por sua vez, aceleração do desgaste. Desgaste em cabos, conexões, quadros e equipamentos. Com o tempo, não se trata mais uma de questão puramente elétrica, mas também interfere no ambiente externo.

Claro que não queremos dar a entender que o colapso estrutural tenha origem elétrica. Iria ser irresponsável fazer isso sem uma análise técnica mais aprofundada. No entanto, não queremos tampouco considerar os sistemas como se estivessem isolados. Na realidade, eles se conectam constantemente.

É por isso que os projetos bem realizados começam na base.

Na engenharia elétrica, isso significa dimensionamento correto e escolha adequada de materiais. Normas como a NBR 5410 são criadas justamente para garantir que os sistemas de baixa tensão operem de forma segura durante o tempo. Não se trata apenas de cumprir a regra. É não deixar que pequenas irregularidades se transformem em problemas maiores.

Outro fator que também contribui é a qualidade dos componentes utilizados. Os cabos elétricos, por exemplo, são componentes relativamente simples, mas que possuem importância fundamental. São eles que carregam a energia ininterruptamente. Se a especificação não se alinhar à carga real, ou se o material não for de boa qualidade, o sistema já opera no limite. E operar no limite não perdoa.

Empresas como a Santa Luiza atuam justamente nesse nível mais técnico, oferecendo materiais que atendem às exigências normativas e às diferentes aplicações. Não é o tipo de item que ganha destaque em um projeto, mas que importa naquilo que não pode falhar. Isso, talvez, seja o ponto mais importante.

A infraestrutura é quase sempre relegada a segundo plano. Se investe no que é visível, no que é percebido pelo cliente. No restante, é ajuste de custo. Mas, é claro, essa é uma economia que, na maioria dos casos, acaba voltando no futuro, seja em manutenção corretiva, seja em perda operacional, seja em risco.

O caso da academia é, a nosso ver, particularmente interessante, não tanto pelo ocorrido, mas pelo que ele pode nos dizer. Há uma certa visão, uma certa tendência em se fixar no resultado final e não considerar os elementos que fundamentam aquele resultado. Mas, é claro, em operações mais complexas, isso não funciona.

Ter um ambiente seguro e eficiente é, em parte, ter uma visão integrada. Estrutura, elétrica, equipamentos, manutenção. Tudo precisa “conversar” entre si. Não basta bem construído, é necessário bem funcionando. Mas, no final, a questão é simples.

O que está por trás da operação está preparado para “suportar” o uso do dia a dia?

Nós acreditamos que, em muitos dos casos, essa resposta só surge quando algo dá errado. E, quando surge, ela não é mais um detalhe técnico. Ela é um problema visível.